terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Vocabulário de Palavras e Expressões - Baudelaire (part III)


Como já havia prometido nas primeiras postagens sobre as Desventuras dos Baudelaire filhos. Apresento a você, leitor, um vocabulário construído a partir das definições de palavras e expressões apresentadas por nada mais nada menos que: Violet, Klaus e Sunny (apesar de apenas falar palavras de bebê), além de outros personagens.

A organização será primeiramente por Livro, seguida de ordem alfabética. É descrito o número da página que pode ser encontrada a palavra/expressão se quiser confirmar.

Livro três: O Lago das Sanguessugas

Abominável - A palavra abominável aqui usada com o sentido de “habitual do Conde Olaf quando ele tinha mais ou menos a idade de vocês” p. 154

“Acendeu-se uma luz dentro deles” - É uma maneira de dizer que eles “descobriram alguma coisa” p. 182

Alexandre, o Grande - Viveu há mais de dois mil anos, e seu sobrenome não era na verdade “o Grande”. “O Grande” era como ele exigia que as pessoas o chamassem depois que chegava nas terras delas com uma leva de soldados e se proclamava rei. p. 171

Atlas - É um livro com uma coleção de mapas. p. 107

Bisbilhotando - Significa ‘escutando a conversa dos outros” p. 58

Bom-tom - É o mesmo que boas maneiras, boa educação. p. 13

Cedeu - Palavra que aqui quer dizer “se tornou branda” p. 129

Copiosas - A palavra copiosas significa aqui “uma porção de” p. 98

Desoprimido - Palavra elegante que quer dizer o mesmo que “aliviado” p. 174

Disfarce transparente - Isso não quer dizer que a pessoa esteja usando material (vidro, plástico) transparente. Significa apenas que os outros conseguem ver através do disfarce – ou seja, o disfarce não os engana nem sequer por um instante. p. 44

“É falar do diabo...” - Usa-se essa expressão quando se está falando de alguma coisa e, em seguida, essa coisa aparece (a expressão completa é: ‘É falar do diabo, que ele aparece’) p. 141
Sunny Baudelaire, do filme Desventuras em Série.
Fonte: Fanpop

Encouraçada - Termo que aqui quer dizer “incrivelmente vigorosa e resistente” p. 122

Forjar - Um verbo que aqui significa “escrever alguma coisa pelo próprio punho e fingir que outra pessoa a escreveu” p. 71

Frustração - É um estado emocional interessante, porque tende a fazer surgir o que há de pior no frustrado. p. 143

Índice - Que é uma lista de todas as coisas que o livro contém, com as páginas em que aparecem. p. 107

Impertinente - Uma expressão que aqui quer dizer “ficasse me mostrando que estou errada pois isso me aborrece” p. 54

Mastro - Nome dado ao “alto poste de madeira erguido no meio dos barcos’ p.126

“No dia de São Nunca” - Uma expressão que significa “de jeito nenhum” p. 137

Nó górdio - Um nó que um rei chamado Górdio fez com grande habilidade num pedaço de corda, Górdio disse que se Alexandre fosse capaz de desata-lo poderia governar o reino inteiro. p. 171

“O vento alcançou seu auge” - O que aqui quer dizer “balançou com a casa e atirou os três órfãos no chão” p. 109

Sunny Baudelaire, da série da Netflix, Desventuras em Série.
Fonte: Flickr
“Resmungou interiormente” - Frase que aqui quer dizer “não disse nada, mas se sentiu decepcionada ante a perspectiva de outro jantar gelado” p. 42

Resolutamente - Palavra que aqui significa “como se acreditasse no que dizia, embora não estivesse tão certa disso” p. 115-116

Sanguessugas - São algo assim como vermes. São cegas, vivem em meios aquáticos, e para se alimentar, grudam-se na pessoa e sugam seu sangue. p. 34

Sub-repticiamente - Palavra que aqui significa “enquanto tia Josephine não estava olhando” p. 36

Táxi - Um táxi é um carro que nos leva a qualquer lugar mediante o pagamento de uma tarifa. p. 13

Transtorandos - Palavra que aqui significa “abalados” p. 168

Ululante - Ululante, significa “que grita de aflição e dor” p. 101

Urticária - Palavra que significa “placas vermelhas que coçam durante algumas horas” p. 11

Wunderkind - Palavra alemã, que aqui quer dizer “alguém capaz de subir rapidamente em mastros de barcos que estão sendo atacados por sanguessugas” p. 149


Aguardo você no próximo Vocabulário Baudelaire.

Saraiva.

Vocabulário de Palavras e Expressões - Baudelaire (pert II)


Como já havia prometido nas primeiras postagens sobre as Desventuras dos Baudelaire filhos. Apresento a você, leitor, um vocabulário construído a partir das definições de palavras e expressões apresentadas por nada mais nada menos que: Violet, Klaus e Sunny (apesar de apenas falar palavras de bebê), além de outros personagens.

A organização será primeiramente por Livro, seguida de ordem alfabética. É descrito o número da página que pode ser encontrada a palavra/expressão se quiser confirmar.



Livro dois: A Sala dos Répteis

Admoestou - Palavra que aqui significa “reprendeu Klaus embora a interrupção tivesse bons motivos” p. 99

Anuviou-se - Expressão que aqui quer dizer “assumiu certo ar melancólico quando o tio Monty pensou em sua má sorte”. p. 23
Klaus Baudelaire, do filme Desventuras em Série.
Fonte: Fandom

Bambini - Bambini é como se diz “crianças” em italiano. p. 25

Batido - O termo batido refere-se a “usado por tantos e tantos escritores que, quando Lemony Snicket o emprega neste texto, já se tornou um chavão” p. 123

“Em conjunção” - É “junto com”, “acompanhado de” p. 128

“Emendava no assunto” - Expressão que aqui significa “deixava a conversa enveredar por”. p. 41

Estrangulatório - Estrangulatório é “relativo a estrangulamento” p. 128

Exultante - Fora de si e empolgado. p. 42

Factícia - É um sinônimo tão rebuscado para “artificial”, “fabricado” p. 90

Fazer troça - Fazer troça é o mesmo que ‘caçoar’. p. 14

Genérico - A palavra genérico aqui significa “quando a gente é incapaz de pensar em qualquer outra coisa para dizer” p. 84

Grosseira - A palavra grosseira tem aqui o sentido de “tosca, feita em cima da hora” e não de “rude ou mal-humorada” p.148-149

Herpetologia - É o estudo de alguma coisa – Cobras! p. 20

Inapropriado(a) - Uma palavra que aqui tem o sentido de “enganoso”. p. 35

Inquisitiva - A palavra inquisitiva significa... (...) Cheia de perguntas. p. 20

Insípida(o) - A palavra insípida aqui quer dizer “indigna de se ler para alguém” p. 135

Klaus Baudelaire, Desventuras em Série.
Fonte: Wattpad
“Ironia dramática” - Ocorre quando uma pessoa faz um comentário inocente, e outra pessoa que o escuta está sabendo de alguma coisa que faz com que esse comentário tome um sentido diferente, em geral desagradável. p. 37
“é uma ocorrência cruel (por isso também se pode falar dela como ‘ironia cruel’) quase sempre inquietante (...)” p. 37-38

Matiz - É o mesmo que “cor, coloração” p. 128

Nêmesis - Palavra que aqui significa “o pior inimigo que se possa imaginar”. p. 48

“Pôr tudo a limpo” - Expressão que aqui quer dizer “admitir que ele era realmente o Conde Olaf e não tinha objetivos inocentes” p. 156

Retiro secreto - Expressão que aqui significa “lugar imundo onde se arquitetam planos maléficos” p. 126-127

Resgatar - Quer dizer “levar embora” p. 171

“Sentir-se como uma quinta roda” - Equivalente em outras línguas a “sentir-se como um peso morto” p. 111

Tenebroso - É “escuro, sombrio” p. 128

“Tirar isso a limpo” - Expressão que aqui significa “esmiuçar uma questão, discutindo-a e analisando-a até compreendê-la inteiramente” p.83

Vangloriar - Uma palavra que aqui significa “contar vantagem” p. 70

Aguardo vocês no próximo Vocabulário Baudelaire.

Saraiva.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Desventuras em Série - Mau Começo (2001)

Desventuras em Série... lembro que o meu primeiro contato com essa obra maravilhosa, foi a adaptação cinematográfica de 2004, com a participação do excelentíssimo Jim Carrey como Conde Olaf e entre outros atores, que prefiro me privar dos comentários agora, para o momento em que falar do filme em si.

Fonte: Saraiva
Título (BRA): Mau Começo, Desventuras em Série. 
Título (Original): The Bad Beginning.
País de Produção: Norte-americano.
Autor: Lemony Snicket.
ISBN: 978-85-359-0094-1; 978-85-359-1972-1 (coleção).
Dimensão: 12,5 cm x 18,5 cm.
Páginas: 148 p.
Class. CDD: 813 - Ficção americana.
Cutter: S672.
Referência: Snicket, Lemony. Desventuras em Série: mau começo. Ilustração de Brett Helquist; Tradução de Carlos Sussekind. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2001.

Lido em: 11 dias.
Nota pessoal: 9/10.
Coleção/Série: Desventuras em Série (13 volumes).
Adaptações: A coleção possui um adaptação cinematográfica, de 2004, que retrata os três primeiros livros; uma série, da Netflix, com três temporadas que trabalha com todos os treze volumes.
Curiosidade: Tipos de Nós (baseado no nó Língua do Diabo apresentado no livro)
“Para Beatrice – querida, adorada, morta.”
Desventuras em série é uma coleção composta por 13 volumes, uma mais interessante que o outro. Escrita por Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel J. Handler), que nos proporciona uma aventura (ou desventuras) muito surreais e inimagináveis. A leitura é voltada para um público infantil, mas que acaba seduzindo muitos adolescentes e o que dirá adultos, tendo essa atmosfera de suspense e drama, envolvendo nada mais nada menos que três crianças órfãs.

O volume um da coleção apresenta os jovens Baudelaire e o intrigante incêndio que matou os Baudelaire pais, tornando as crianças órfãs e ficando a cargo de um parente considerado “mais próximo” (genealógica ou geograficamente). No caso, a interpretação do “mais próximo” é feita de forma errônea por “geografia”. E os jovens Baudelaire acabam indo parar nas graças (“garras”) do adorável (“detestável”) Conde Olaf. De acordo com as informações coletadas, ele seria primo de terceiro ou quarto grau das crianças (primo de segundo grau já não é tão parente assim, o que dirá de terceiro ou quarto).
Há muitos tipos de livros no mundo, o que faz sentido, porque há muitos e muitos tipos de pessoas, e os gostos são diferentes. p. 78
Os órfãos Baudelaire vivem grandes aventuras (“desventuras”) nas mãos do Conde Olaf, mas com sua inteligência em inventar objetos, extrair informações dos livros e morder, as crianças conseguem sobreviver ao Conde, que está na mais do que interessado na grande fortuna deixada pelos Baudelaire pais. Até o momento que você descobre a verdadeira intenção do Conde Olaf pelos Baudelaire, você pode se perguntar: Mas porque ele quer tanto assim a fortuna das crianças? Quem incendiou a casa dos Baudelaire? De onde o Conde conhece a família Baudelaire? Quantos livros são mesmo? (kkkk)
Mas um tipo de livro que praticamente ninguém gosta de ler é um livro de direito. Os livros de direito têm fama de ser muito compridos, muito chatos e muito difíceis de ler. p. 78 (Menção a livros)
Como já mencionei, a leitura é voltada para o público infantil, entretanto, as críticas e o trato na personalidade dos personagens ao longo da história, faz pensar que, com um pouco de reflexão você percebe que Desventuras em Série não bem uma história de ninar, e sim uma história bem contemporânea e para os adultos lerem e refletirem sobre si e o mundo.

Dois dos pontos principais que o volume um trata de forma direta e explicita:
  • O fato de que as crianças nunca são ouvidas, e quando são, não consegue fazer com que os demais creiam em suas palavras; é incrível como o Conde Olaf consegue enganar tão fácil assim os adultos ao longo da história;
  • A justiça em muitos lugares do mundo, incluindo no nosso país (Brasil), é falha. A expressão “a justiça é cega” no ramo do direito, é aplicada de forma literal na narrativa. Todos parecem não enxergar as atrocidades cometidas pelo Vilão.
É obvio que é possível notar outras pequenas críticas na história e nos demais livros. Mas deixo aqui para que você descubra e reflita.

Duas características marcantes do modo como é escrito o livro, são:
  • O próprio autor, também, é um personagem, caracterizando uma narrativa em terceira pessoa (pelo menos é isso que lembro das aulas de português no ensino médio). Essa característica fica bem presente nos demais livros também;
  • Pelo fato dos personagens serem inteligentes e, o principal, Klaus Baudelaire ser um bibliófilo de carteirinha (pelo menos acho que é por esses motivos), ao longo da narrativa são apresentados momentos de definição de certas palavras ou expressões utilizadas por algum dos personagens. Fato que me deixou tão intrigante que anotei cada momento desse e pretendo apresenta-los, assim que terminar a leitura de todos os livros.
É muito interessante e gostosa a leitura, além de ser rápida. Para um estudante de Biblioteconomia (futuro bibliotecário renomado) e amante de livros e ficção, não poderia deixar de mencionar uma característica da linguagem, que é a função Metalinguística (linguagem falando sobre linguagem); aplicando ao livro, é o momento que podemos constar que é apresentado/citado outros livros, e bibliotecas, linhas de conhecimento especificas aplicados em uma biblioteca. O que tenho que admitir, foi uma coisa maravilhosa para mim. A parte mais linda que já vi na história.

Indico essa postagem sobre 13 porquês para ler Desventuras em Série, do site Escrever e Ler.
Achei muito legal e criativo.


PERSONAGENS

Violet Baudelaire
a mais velha dos três, gostava de atirar pedras bem longe para vê-las deslizar na superfície do mar antes de afundarem. Como a maioria dos jovens de catorze anos, era destra [...] p. 11
Quem conhecesse bem Violet logo perceberia que ela estava concentrada em suas reflexões, porque havia amarrado os cabelos com uma fita para afastá-los dos olhos. Violet tinha uma forte inclinação para inventar e montar aparelhos estranhos, por isso o seu cérebro volta e meia se via tomado por imagens de roldanas, alavancas e engrenagens, e ela fazia questão de nessas horas não ser distraída por algo tão banal como seus cabelos. p. 11
Klaus Baudelaire
o irmão do meio, e o único menino, gostava de examinar os seres minúsculos que pululavam nas piscininhas formadas à beira d’água. Klaus tinha pouco mais que doze anos e usava óculos, o que lhe dava um ar inteligente. E ele era inteligente. p. 11
Aos doze anos, é claro que Klaus  não poderia ter lido todos os livros da biblioteca dos Baudelaire, mas lera uma porção deles, e era impressionante como retinha na memória a quantidade de informações assim obtidas. p. 12
Sunny Baudelaire
a mais nova da trinca, gostava de morder coisas. Era ainda quase um bebê e muito pequena para sua idade, pouco maior que uma bota. A pouca altura era compensada, no entanto, pelos quatro dentes bem grandes e afiados. p. 12 
Sr. Poe
era uma amigo do sr. e sra. Baudelaire que as crianças haviam encontrado em muitos jantares festivos. p. 14
[...] ele estava sempre resfriado e constantemente se desculpava de se retira da mesa a fim de ter um acesso de tosse na sala ao lado. p. 14
O sr. Poe raras vezes estava em casa, porque ficava muito ocupado cuidando dos interesses do Baudelaire, e quando estava, tossia tanto que mal conseguia manter uma conversa. p. 20
Edgar Poe & Alberto Poe
[...] dois filhos de Poe (..) eram meninos barulhentos, agitados, muito antipáticos, com quem os Baudelaire tiveram que partilhar um quarto minúsculo em que predominava um cheiro de flor dos mais enjoativos. p. 20
Juíza Strauss / Justice Strauss
Diante da entrada da casa, com uma das mãos segurando a reluzente maçaneta de metal da porta, uma senhora de certa idade, elegantemente vestida, sorria para os Baudelaire. Na outra mão tinha um vaso de flores. p. 25
[...] Sou Justice Strauss.- Um prenome meio fora do comum – observou Klaus.- É meu título – ela explicou – não meu prenome. Sou Juíza na Suprema Corte. p. 26 
Conde Olaf
Ele é primo em terceiro ou quarto grau de vocês. Não é o seu parente mais próximo na árvore genealógica, mas é o mais próximo geograficamente. p. 22
Ele era alto e muito magro, e vestia um terno cinzento com várias manchas escuras. O rosto estava sem barbear e, no lugar das duas sobrancelhas que a maioria dos seres humanos possuía, tinha uma única, bem comprida. Seus olhos brilhavam intensamente, o que lhe dava uma aparência de faminto e de zangado ao mesmo tempo. p. 28

CARTA AO EDITOR
Ao meu amável Editor,
 Escrevo-lhe da sede londrina da Sociedade Herpetológica, onde estou tentando descobrir o que aconteceu com a coleção de repteis do dr. Montgomery Montgomery após os trágicos acontecimentos ocorridos quando os órfãos Baudelaire se achavam sob sua guarda.
Um de meus colegas porá uma pequena caixa à prova d’água na cabine telefônica do Hotel Elektra às onze da noite, na próxima terça-feira. Retire-a, por favor, antes da meia-noite, para evitar que caía em mãos erradas. Na caixa encontrará minha descrição desses terríveis acontecimentos, intitulada A sala dos repteis, bem como um mapa do Mau caminho, uma Zumbis na neve e a receita do dr. Montgomery para o bolo com creme de coco. Consegui também localizar um dos poucos retratos do dr. Lucafont, para servir de ajuda às ilustrações do sr. Helquist.
Lembre-se, o senhor é minha última esperança de que as histórias dos órfãos Baudelaire sejam finalmente contadas ao grande público.
Sobre o Autor:
Pseudônimo do escritor Daniel J. Handler, tornou-se um fenômeno editorial em todo o mundo. Nasceu em 28 de fevereiro 1970, em San Francisco, EUA, onde mora até hoje. É casado com Lis Brown, artista gráfica que conheceu na universidade, e tem um filho chamado Otto Handler. Integra uma banda chamada Magnetic Fields. Ele é escritor e cineasta americano, formado pela Universidade Wesleyan, em 1992, no estado de Connecticut.

Fontes: Wikipédia; Skoob; Companhia das Letras; Lemony Snicket

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Vocabulário de Palavras e Expressões - Baudelaire (part I)


Como já havia prometido nas primeiras postagens sobre as Desventuras dos Baudelaire filhos. Apresento a você, leitor, um vocabulário construído a partir das definições de palavras e expressões apresentadas por nada mais nada menos que: Violet, Klaus e Sunny (apesar de apenas falar palavras de bebê), além de outros personagens.

A organização será primeiramente por Livro, seguida de ordem alfabética. É descrito o número da página que pode ser encontrada a palavra/expressão se quiser confirmar.

Livro um: Mau Começo

Apurados(as) - A palavra apurados aqui significa “habilidosos”. p. 111

“Completo pandemônio” - Expressão que aqui quer dizer “lugar em que atores e auxiliarem de cena correm em todas as direções para resolver detalhes de última hora”. p. 127

Coquetéis molotov - São pequenas bombas preparadas dentro de garrafas. p. 119

Violet Baudelaire, do filme Desventura em Série.
Fonte: DeathBattleFanon
“De absoluta determinação” - Aqui significa “que não dava margem a dúvidas quanto à urgência dos jovens Baudelaire irem para a rua”. p. 24

Destra(o) - Ou seja, estava acostumada a usar a mão direita, ao contrário dos canhotos. p. 11

“Dormindo de modo descontínuo” - Expressão que aqui significa “mexendo-se e virando-se com muita frequência. p. 88

Escaldada(o) - A palavra escaldada que estou usando aqui significa “cozida”. p. 20

Incentivo - A palavra incentivo aqui quer dizer “recompensa oferecida a alguém para que faça algo que não quer fazer” p. 78

"In loco parentis" - Significa “assumindo o papel dos pais”. p. 64

Insípida(o) - A palavra insípida aqui quer dizer “chata e boba”. p. 130

Violet Baudelaire, da série da Netflix, Desventuras em Série.
Fonte: Hogwarts is here
Literal e figurado - Se alguma coisa acontece no sentido literal, acontece de verdade, se acontece no sentido figurado, dá a impressão de estar acontecendo. p. 66

Nupcial - A palavra nupcial (...) significa “relativo a casamento”. p. 90

“O rumo que sua vida ia tomando era uma aberração” - Frase que aqui quer dizer “não tinha o menor sentido e traria muito desgosto”. p. 148.

Precário(a) - A palavra precário, que vocês provavelmente conhecem, está sendo usada aqui com o sentido de “inseguro”. p. 10

“Quebrem a perna” - É uma expressão que se sua em teatro (...) com o sentido de “boa sorte no espetáculo desta noite!” p. 128

“Reconhecimento do local” - “reconhecimento do local” consiste em observar determinado lugar com o objetivo de traçar um plano. p. 105

Repulsa - Palavra que aqui está usada no sentido de “mistura desagradável de horror e aversão”. p. 51

Reservado(a) - Significa “relutante em se relacionar com os outros”. p. 71

“Sorriso oblíquo” - Expressão que aqui significa “sorriu de maneira inamistosa e afetada”. p. 89

Polígamos - Polígamos são pessoas que casam com mais de uma pessoa. p. 120


Aguardem o próximo Vocabulário Baudelaire.

Saraiva.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Fore-Edge Painting (Arte nas bordas) - A colina escarlate (2015)


Como você já sabe o blog trás além de resenhas e críticas de filmes e livros, apresento também um olhar crítico para informações/curiosidades que são apresentados nas páginas ou nas telas que muitos dos bibliófilos e cinéfilos podem não saber a origem, o significado.

Dei início falando sobre o Fonógrafo, de Thomas Edison, apresentado no filme "A Colina Escarlate". Agora, do mesmo filme, apresento as "Ilustrações de Bordas" ou "Fore-edge Painting", para os bilíngues. Espero que gostem e vocês podem conferir a resenha do filme clicando na imagem abaixo.



ILUSTRAÇÕES SECRETAS

Os famosos desenhos escondidos em cada página de um livro, é realizado através da técnica denominada fore-edge painting, que teve sus primeiras pinceladas por volta do século 10, mas foi aperfeiçoada em meados do século 17 ou 18.

Fonte: Talas
São realmente pequenas obras de arte magnificas que até hoje são realizadas, levando em conta a natureza e cenas bíblicas como tema dos desenhos. Quando pensamos que os livros apenas nos proporcionam um texto, palavras, acabamos por nos deparar com esse mistério que nos intriga e fascina.

Na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, sob responsabilidade de Colleen Theisen, estão as obras de Robert Mudie, que traz em seus livros algumas dessas pequenas obras, retratando por exemplo, as quatros estações e o céu e o inferno.

Como dito, hoje ainda é utilizado dessa técnica nos livros; o artista Martin Frost é um dos mais conhecidos e famosos.

Vocês podem acompanhar o trabalho de Collen Theiser pelo twiter e pelo tumblr, assim como o artista Martin Frost.

Pode ser visto no vídeo uma das ilustrações que estão aos cuidados de Colleen Theisen, na Universiade de Iowa, EUA.

Texto baseado em "As pinturas de borda e os segredos dos Livros", do blogger Joaquim - Livraria e Sebo.


No site da Talas você pode conferir fotos incríveis sobre o processo de produção do fore-edge painting com o próprio Martin Frost.

Podem consultar o site do Martin Frost e saber mais sobre esse grande artista e sua arte.

Fonógrafo, de Thomas Edison - A Colina Escarlate (2015)


Como não posso falar somente de livros e filmes, pois sou um geminiano nascido da mente de Zeus, assim como Atena, e curiosidade é minha sede por sabedoria, apresento uma sessão nova baseado em curiosidades que são apresentados nos livros e filmes aqui descritos.

Para dar início, vamos falar das curiosidades do filme "A Colina Escarlate", que apresentou nada mais nada menos que uma belíssima biblioteca de dar inveja a qualquer bibliófilo, além é claro de nos apresentar o "Fonógrafo e os Rolos de Cera" e as "Ilustrações de bordas - Fore-Edge Paiting".

Aqui vou apresentar a grande invenção de Thomas Edison, o fonógrafo, mas se quiserem conferir a resenha do filme, basta clicar na imagem abaixo.


FONÓGRAFO


Fonógrafo.
Fonte: Wikiwand
É apresentado no filme uma caixa contendo alguns cilindros de cera e um fonógrafo usado por Edith.

O fonógrafo é invenção do americano Thomas Alva Edison, que aprimorou a ideia de Leon Scott. Charles Cros apresentou um projeto anteriormente ao de Thomas Edison, mas Edison ficou com a patente da máquina, quando o inventor conseguiu reproduzir o som gravado nos cilindros.

O fonógrafo funcionava com um cilindro que girava em torno de seu próprio eixo, sendo acionado através de uma manivela de progressão axial por sistema de parafuso. E sua primeira gravação foi do poema, de Sarah Josepha Hale, "Mary had a little lamb" (Mary tinha um cordeirinho). 

Mary had a little lamb,

Thomas Edison.
Fonte: Histórias com história
Little lamb, little lamb.
Mary had a little lamb,
Its fleece was white as snow.
And ev'ry where that Mary went,

Mary went, Mary went.
Evrywhere that Mary went,
The lamb was sure to go.
It followed her to school one day,

School one day, school one day.
It followed her to school one day,
Which was against the rule.
It made the children laugh and play,

Laugh and play, laugh and play.
It made the children laugh and play,
To see a lamb at school.
So the teacher turned him out,

turned him out, turned him out.
So the teacher turned him out,
And sent him straight away.


Rolo de Cera.
Fonte: Histórias com história
A duração de um cilindro girava em torno de 1 minuto, e podia ser reaproveitado 3 ou 4 vezes e apresentava um mau som na reprodução, infelizmente.

A invenção de ThomaS Edison abriu as portas da imaginação para outras grandes invenções, como o próprio Gramafone que seria um Fonógrafo 2.0, além do Telegraphone.

Texto baseado em Do rolo de cera ao vinil, da A Minha Rádio.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cuidando dos livros em casa

Hoje eu estive refletindo em relação a quantidade de livros que já possuo (obvio, ainda não li nem metade, e sei que isso é uma compulsão a ser trata, mas não estou prejudicando ninguém ainda). Observei que além de não ter espaço, o modo como os livros estão dispostos pelo quarto não é de se levar a conservação e preservação dos meus filhos a sério.
Imagem relacionada
Uma estante organizada. Fonte: L'Explorateur
Muitos, devido à baixa qualidade do papel usado na edição, somado a alta umidade que o quarto sofre e a constante variação de mudança de temperatura (por mais que o Norte seja uma região quente, nos períodos de chuva chega a fazer frio, muito frio). Alguns livros estão até com manchas e fungo (eca!). Assim, é hora de me movimentar e tratar de cuidar deles, por que não acho certo que os livros que ainda nem li já estarem sendo perdidos dessa forma.

Já tinha em mente tentar preservar os livros guardando-os em saquinhos plásticos ou até mesmo em papel filme. Entretanto, por ser de material de origem vegetal e precisar de oxigenação para manter-se “vivo”, tenho em mente que não seria uma boa ideia (mesmo protegendo da poeira e facilitando a limpeza).

De principio, pesquisando em alguns outros bloggers e artigos, encontre dicas de preservação antes do manuseio, no período de aquisição e guarda que abrangem a estrutura das estantes e a ambientação:
Resultado de imagem para limpando os livros
Higienização de livro. Fonte: Livros Encantos
  • Muitos livros em uma prateleira frágil? NÃO PODE. Procure ter prateleiras de madeira resistentes para que você possa acomodar seus livros;
  • Livros em sacos plásticos? NÃO É INDICADO. Procure se informar sobre o PH do plástico e se com ele o livro pode ter o mínimo “para respirar”;
  • Encapar livros com papel pardo? NÃO PODE. Os papeis pardos, podem até proteger contra a poeira, mas transmitem o teor ácido que possuem para os livros;
  • Limpeza geral? CLARO QUE PODE. Limpe sempre, pelo menos uma vez por ano, suas estantes, prateleiras e livros;
  • Livros juntos a parede? NÃO PODE. Os livros precisam respirar, e as paredes pode passar umidade para eles, gerando fungos;
  • Bibliocantos? COM CERTEZA. Os livros não podem ficar tombados e nem posicionados na horizontal (empilhados), danifica a lombada e o miolo do material. Na estante, procurem sempre deixar um espaço (uma folga) entre os livros, nunca os deixe prensados;
  • Carimbar? NÃO É INDICADO. Algumas pessoas escrevem o nome na folha de rosto do livro e outras carimbam. Caso o livro venha a ser repassado (venda, permuta ou doação), acaba perdendo seu valor. Mas como os meus livros (que são meus e não pretendo repassar ou vender tão cedo) ajudam na identificação do material. Apenas lembre se de evitar o excesso de tinta nos carimbos;
  • Iluminação forte? NÃO PODE. Evite que seus livros recebam a luz forte do sol ou de lâmpadas que emitam raio ultravioleta muito forte. As janelas podem receber persianas ou cortinas para amenizar a incidência de luz solar.

Na hora do manuseio do seu livro, segue as orientações:
Imagem relacionada
Marcador DIY. Fonte: Era uma vez uma ervilha
  • Pegar o livro. CUIDADO. Evite pegar no livro com as mãos engorduradas ou com resíduos de comida, isso atrai insetos e pragas;
  • Na hora da leitura. ATENÇÃO. Evite abrir muito o livro para não danificar a lombada, pois cria atrito e dependendo da cola utilizada facilita o miolo descolar;
  • Retirar o livro da estante. NUNCA puxe o livro pelas pontas, sempre manuseie pelo centro da lombada, por isso deve deixar aquela “folga” entre os livros na estante;
  • Material adesivo. JAMAIS, pois podem conter alta acidez e provocar manchas irreversíveis na área aplicada;
  • Marcadores. USE, contanto que sejam os finos e feitos de papel. Nada de usa clipes ou folhas e pétalas de flores secas, pois podem manchar e marcar as páginas permanentemente;
  • A página rasgou. NÃO use fita adesiva, jamais faça isso. Pois novamente, volto a dizer sobre a acidez desses produtos nas páginas dos livros;

Espero que você siga as orientações e que elas possam realmente auxiliar na conservação dos seus livros. Se tiver mais alguma dica ou sugestão sobre algum assunto que queira que eu escreva. Dedos no teclado mande sua mensagem, pode ser nos comentários ou via e-mail.


Eddie Carlos S. da Silva

Texto baseado nas postagem "20 dicas para conservar seus livros", do blogger Dose Literária, e "Conservação de livros - dicas para preservar os livros em casa", do blogger Link Livros.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Colina Escarlate (Crimson Peak) (2015)


E vamos tomar um café de filme...

O filme da vez é mais uma grande produção de Guillermo del Toro (Não, não vou escrever apenas sobre ele, mas não tenho culpa se o cara sabe o que faz).

Esse é mais um nas minhas listas "Contos de fada nada tradicionais" e "Filmes que todos tem que assistir, porquê sim!"

Já havia assistido anteriormente, logo no ano em que estreou (2015), entretanto, pus me a assistir novamente, até mesmo porque incorporei o filme a minha coleção de Dvds e como já havia falado da mais recente produção de del Toro, "The Shape of Water".

Sem mais delongas e blá blá blá.... o filme da vez é "A Colina Escarlate".
"As coisas bonitas são frágeis." (Lucille Sharpe, Crimson Peak, 2015)


Título (BRA): A colina escarlate
Título (Original): Crimson Peak
País de produção: Canadá, EUA
Estreia: 15 de outubro de 2015 (BRA); 16 de outubro de 2015 (Mundial)
Direção: Guillermo del Toro
Produção: Guillermo del Toro; Thomas Tull; Callum Greene; Jon Jashni
Escrito por: Guillermo del Toro; Matthew Robbins
Classificação Etária: Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Fantasia, Drama, Terror
Duração: 119 min, Color.; Son.
Classificação - CDD: 778.5 (Filme cinematográfico)

Nota: 9/10
Curiosidades: Duas curiosidades que eu, como aluno de Biblioteconomia, achei bem interessante destacar (já que esse é um dos intuitos do blogger) são: as Ilustrações de Bordas que Lucille apresenta para Edith, na biblioteca, e os rolos de cera gravados que Edith encontra no armário de toalhas. São duas especialidades que datam aproximadamente o século XVII ao século XIX. Podem conferir mais informações sobre as duas no link: Fonógrafo e Fore-edge painting.
Baseado no Livro: HOLDER, Nancy. A colina escarlate. Tradução Pedro Sette-Câmara. Rio de Janeiro: Record, 2015. 308 p. Título original: Crimson Peak.

A Colina Escarlate conta a história de Edith, uma jovem criança que perdeu a mãe muito jovem, mas desde o velório recebe a visita do fantasma dela. Visitas que não são nada sutis e agradáveis. Visitas que trazem apenas um recado de aviso em relação a Colina Escarlate, mas como não tem muitos dados na mensagem, fica uma informação incompleta e não entendemos, o que dirá a garotinha, a mensagem.
Fantasmas existem. Disso eu sei. Certas coisas os prendem a um lugar... do mesmo jeito que nos prendem também. Alguns se mantem apegados a um pedaço de terra. Um dia e hora. O jorro do sangue. Um crime hediondo. Mas há outros... que se apegam a uma emoção. Um propósito. Uma perda. Uma vingança. Ou um amor. Esses... nunca vão embora. (Crimson Peak, 2015)
Edith cresce e torna se uma jovem donzela muito bonita e atraente, além de muito esperta e inteligente, motivo pelo qual seu amigo e médico, Dr. Alan McMichael, acaba se apaixonando por ela e nutrindo esse sentimento ao longo do filme.

Edith sonha em ser uma escritora (e vamos falar de histórias dentro de uma história), entretanto, tendo em mente a época (vitoriana*) onde o enredo se passa, sabemos, graças as aulas de História, que nessa época a mulher não era vista como uma "pessoa de negócios", logo, ou ela virava dona de casa, ou trabalhava mais em profissões ditas como "femininas" (secretária do lar ou do escritório). O mesmo servia para Edith, que não tinha, além de seu pai, muitos incentivos para seguir como escritora.
- Sempre fecho os olhos quando não fico à vontade . Facilita tudo. - Eu não quero fecha-los. Quero mante-los abertos. (Crimson Peak, 2015)
Mesmo após sua história não ser aceita pelo jornal local, Edith não desiste de publicar sua história. Nesse momento, ela conhece o jovem Thomas Sharpe (Baronete de Allerdale Hall), que se encanta pela adorável Edith e por sua história de fantasma.

Esse encontro de Edith e Thomas, dá-se início a um série de pequenos acontecimentos, interligados, que me ateio a não continuar a relatar na descrição, pois é aqui que o filme realmente começa, a história se inicia e o suspense inicia para o ápice.

Particularmente, até eu assisti o filme e redigir esse post eu não cheguei a ler o livro, mas pretendo, e desejo fazer um relação da obra escrita com a adaptação para o cinema. Mia Wasikowska, está perfeitamente bem como Edith, assim como ela foi brilhante como Alice nos dois filmes da Franquia. A personagem que começa inocente e assustada, assumi aos poucos uma personalidade forte e implacável.
É absurdamente sentimental. O sofrimento descrito com tanta sinceridade! A dor, a perda. Não viveu nada disso. Leu de outros autores. (Thomas Sharpe, A colina escarlate, 2015)
Pode ser observado nessa evolução de Edith a passagem da menina para mulher. Que perde sua inocência para conhecer a brutalidade e a veracidade da vida humana, e como os homens podem agir uns com os outros em determinados momentos.

Tom Hiddleston, nosso querido Loki (da Franquia dos filmes dos Vingadores e Thor), diferente do personagem anterior, assume uma interpretação mais séria e sombria, que é pedido no filme de drama e suspense. Como Thomas Sharpe, analisamos no personagem a infância sofrida e traumatizada de uma criança refletida no homem que se tornou, e nem sempre os resultados são bons para o individuo e/ou para a sociedade.
Há alguma coisa nele que não gosto. O que é? Eu não sei. E não gosto de não saber. (Carter Cushing, Crimson Peak, 2015)
Com Guillermo del Toro na produção e direção do enredo o resultado não poderia ser melhor. Em alguns efeitos gráficos e especiais (que foram poucos, já que o filme conta muito com a praticidade do que pode ser feito na hora e sem tecnologia), voltados para os fantasmas das ex-esposas, ficou a desejar, mas Javier Botet, o mesmo interprete de Mama (2013), foi excelente em sua performance e atuação, dando uma vida e graça (medo e terror) aos nossos fantasmas escarlates. Mas como eu adoro tudo o que é feito pelo del Toro, fica meio suspeito criticar o filme (kkk).

Sem dúvida o filme é um deleite para os fãs do diretor e do gênero. Cada detalhe empregado nas cenas e de fazer assistirmos de novo, e de novo, e novamente.

ELENCO
  • Charlie Hunnam, como Dr. Alan McMichael;
  • Mia Wasikowska, como Edith Cushing [mesma atriz de "Alice no país das maravilhas" (2010) e "Alice através do espelho" (2016) nos remakes];
  • Jim Beaver, como Carter Cushing;
  • Javier Botet, como os fantasmas: Enola, Margaret e Pamela;
  • Jessica Chastair, como Lucille Sharpe;
  • Tom Hiddleston, como Thomas Sharpe [mesmo magnífico ator que deu vida e sarcasmo ao personagem Loki na franquia "Thor" (2011) e "Vingadores" (2012)];
  • William Healy, como o jovem Alan;
  • Sofia Wells, como a jovem Edith;
  • Bruce Gray, como Ferguson;
  • Burn Gorman, como Holly.

DISCOGRAFIA

por Fernando Velázquez:
  • Edith's Theme;
  • My mother's funeral;
  • Bufalo;
  • After the ghost;
  • Soft hands;
  • McMichael;
  • Valse sur une berceuse anglaise;


*Época Vitoriana: período no qual a Rainha Vitória reinou sobre a Inglaterra, no século XIX, durante 63 anos, de junho de 1837, a janeiro de 1901. (Fonte: Infoescola)

O Leitor do Trem das 6h27, de Jean-Paul Didierlaurent - LUGAR e HORA certa para a Leitura


Olá, caro leitor(a).

Acho que essa ideia de criar e manter um blog literário ainda vai acabar "empacando", mas enquanto houver tempo pra ler, resenhar, anotar e postar. Vamos que vamos.

O livro de hoje é "O leitor do trem das 6h27", isso mesmo, não é "da casa", "da biblioteca", nem "das 20h30" ou "12h00", é "O leitor do trem das 6h27, de Jean-Paul Didierlaurent".
Fonte: Icebookcream - A sorveteria literária.

Título (BRA): O leitor do trem das 6h27.
Título (Original): Le liseur du 6h27.
País de Produção: 
Autor: Jean-Paul Didierlaurent.
ISBN: 978-85-8057-791-4.
Dimensão: 12cm x 17cm
Páginas: 175 p.
Class. CDD: 823 - Literatura francesa.
Cutter: D556l.
Referência: DIDIERLAURENT, Jean-Paul. O leitor do trem das 6h27. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015. (broch.)

Lido em: 5 dias.
Nota: 9/10
Acompanhe o primeiro capítulo disponibilizado pela Intrínseca aqui



É perceptível na história o uso da metalinguística, acompanhada de um pouco de suspense, drama e romance; sem contar nas pequenas aventuras e tragédias que ocorrem no enredo com Guylan e Giuseppe. Confesso que, aparentemente, o livro me deu a impressão de conte rum leitura chata e sonolenta, ao contrário, desperta não só a vontade de ler mais páginas da história como também o desejo por um segundo volume.

É nítido a exposição dos assuntos, como leitura, livros, edição, versos alexandrinos, clássicos, tialogismo da Tia da zeladora do banheiro, e até mesmo a evolução, nítida, do texto impresso para o digital.

Fazendo uma pequena sinopse da história...

Guylain Vignolles é um simples operário em uma fábrica de reciclagem. Ele trabalha no setor responsável pela degradação de papel (principal os livros que vão para a reciclagem). Na fábrica trabalham, também, Yvon Grirnbert, o porteiro que ama devorar seu exemplar, mais que antigo e gastado, de “O Cid”, de 1936 do Britânico Pierre Corneille.

Tinha também, Kowalski, o chefe irritado e irritante, que adorava mandar e vigiar os funcionários, além de Brunner, o funcionário mais chato e que tinha uma vontade enorme de manusear a destruidora Zerstor 500.
“[...] um mundo onde os livros tinham direito de terminar a vida confortavelmente arrumados em caixas verdes ao longo dos parapeitos das margens, envelhecendo no ritmo do grande rio e sob a proteção das torres de Notre-Dame.” (p. 60)
Ah, sim! Zerstor 500, que não tá na lista de personagens é o nome da máquina utiliza no processo de degradação dos livros na fábrica, também conhecida como a assassina do conhecimento, devoradora de histórias, a praga da anti-curiosidade humana. Ela ficava sob responsabilidade de Guylain, que acreditava que a máquina tinha vida própria, devido alguns incidentes que já haviam ocorrido na fábrica e ninguém tinha a explicação para os ocorridos.
Um verbo alexandrino é direto como uma espada – explicara um dia Yvon -, nasceu para acertar o alvo, com a condição de honrá-lo. Não deve ser declarado como prosa vulgar. Recita-se de pé. É preciso alongar a coluna de ar para dar vida às palavras e debulha-lo de suas sílabas com paixão e ardor, declama-lo como se faz amor, com grandes golpes de hemistíquios, no ritmo da cesura. O verso alexandrino lhe apresenta seu ator. E não há lugar para improviso. Não se pode trapacear com um verso de doze silabas, menino. (Yvon Grimbert, p. 37)
Guylain era o típico homem de quase meia-idade, que tinha um emprego qualquer, que garantia seus gastos e para sua subsistência, mas odiava seu emprego, o que exatamente fazia. Como amante dos livros e da leitura que é, Guylain se sente torturado ao ter que presenciar tamanha atrocidade.
Segunda-feira. Ele não vira o domingo passar. Levantou-se muito tarde, deitou-se muito cedo. Um dia sem. Sem vontade, sem fome, sem sede, sem nem sequer uma lembrança. (p. 69)
Sempre que podia, salvava algumas páginas que insistiam em não se deixar destroçar pela Zerstor 500. Eras essas páginas o enredo das leituras de Guylain no trem na ida para o trabalho. Essas páginas que eram resgatadas do abismo e restauradas, tratadas e lidas, não importando quais páginas fossem, de que livro ou história, se era o inicio, o fim ou o meio. Eram lidas, declamadas como nunca (que eu interpretei como sendo uma forma de Guylain honrar o assassinato que era obrigado a fazer).
“Não desatar o fio do Verbo, menino! Chegar ao fim, deslizar ao longo da tirada até que finalmente o ponto final o liberte!” (Yvon Grimbert, p.35)
Foi por meio dessas leituras que Guylain conhece Monique e Josette, duas senhorazinhas que o convidam para ler suas páginas para elas aos sábados de manhã. Receoso ele aceita e mais pra frente acaba gostando da atividade e repetindo vários outros sábados a visita, passando a ser acompanhado por Yvon, que agora ganha público para seus versos alexandrinos.

Termino nesse parágrafo a resenha, pois a partir desse momento a história encontra sua aventura romântica e daqui ruma para o desfecho, no instante que em uma das voltas para casa, Guylain encontra no banquinho de sempre do trem um pen drive. E no pen drive, encontra diversos textos (diria que pequenas crônicas) de uma autora anônima. Que desperta em Guylain, assim como em nós leitores, a curiosidade e a paixão por tão belas histórias escritas, linguagem bem empregada, semântica e sintaxe bailando em perfeita harmonia.

E assim, Guylain parte na busca da jovem Julie, o proposito que Guy encontrou para sua vida. Assim, qual o seu proposito pra está vida?

E como não pode faltar, vamos para o "Além do enredo", com Versos Alexandrinos, Tialogismo - Aforismo e mais um livro apresentando a função Metalinguística, o livro apresenta outra obra da literatura em forma de livro, mas na verdade é uma peça teatral: "O Cid, de Corneille (Le Cid)".


PERSONAGENS


Guylain Vignolles

[...] entrara na vida tendo como fardo o infeliz trocadilho proporcionado pela junção de seu nome com seu sobrenome: Vilain Guignol, algo como ‘palhaço feio’, um jogo de palavras ruim que ecoara em seus ouvidos desde seus primeiros passos na existência para nunca mais abandoná-lo. p. 7
Em trinta anos de existência, acabara aprendendo a se fazer esquecível, a se tornar invisível para não provocar mais gargalhadas e zombarias do que as que sempre se manifestam tão logo era notado. Não é nem bonito nem feio, nem gordo nem magro. Só o vislumbre de uma vaga silhueta nas margens do campo de visão. Fundia-se à paisagem até renegar a si mesmo para permanecer em outro jamais visitado. p. 8

Giuseppe


Infelizmente sem informações pra extrair do livro.


Yvon Grimbert

Aos cinquenta e nove anos, o teatro clássico era o único amor verdadeiro de sua vida, [...] p. 17 
Sempre aprumado, o vigia caprichava com um zelo todo especial no cultivo do bigode, um traço fino que enfeitava seu lábio superior, sem jamais perder a oportunidade de citar o grande Cyrano: ‘Sim, todas as palavras são finas quando o bigode é fino’. p. 17-18

Brunner

O jovem de macacão sempre impecável estava apoiado displicentemente no painel de controle da Coisa. Com os braços cruzados junto ao corpo, ele recebeu Guylain como sempre: um sorriso estranho mal esboçado nos lábios. Nunca uma palavra de boas-vindas, um gesto, nada, só esse sorriso cheio de arrogância que ele lhe dava do alto de seus vinte e cinco anos e de seu um metro e oitenta e cinco. Brunner passava o tempo disparando suas verdades a quem quisesse ouvi-las. p. 21-22
Félix Kowalski
[...] via tudo, como um pequeno deus na escuta de seu reino. O menor alerta, o mais ínfimo deslize, e eis que ele surgia na ponte suspensa, gritando suas ordens ou fazendo chover reprimendas. p. 24 
[...] não falava. Latia, gritava, berrava, xingava, rugia, mas nunca soube conversar normalmente. p. 24
Monique & Josette
[...] duas fãs octogenárias que o reivindicavam só pra elas. p. 72  
Essas duas velhinhas eram comoventes, cada uma delas embrulhada em seu casaco bege e as duas escutando-o com uma atenção apaixonada. p. 73  
O cartão informava nome e endereço em meio a um canteiro de flores em tons pastel. Senhoritas Monique e Josette Delacôte. 7 bis, beco de la Butte, 93220, Gagny. p. 7


Sobre o autor:

Jean-Paul Didierlaurent mora em Vosges, na França. Seus contos ganharam duas vezes o Prêmio Hemingway. O leitor do trem das 6h27 é seu primeiro romance, cujo direito de publicação foi adquirido em 25 países.
Fonte: próprio livro.