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quarta-feira, 13 de março de 2019

Desventuras em Série - A Sala dos Répteis (2001)



Novamente aqui estamos para falar dessa série de livros, e série de tv mesmo até mesmo filme, que encanta-me, encanta-te, encanta-nos.
“É muito exasperante quando alguém prova que estamos errados, sobretudo se na verdade estamos certos e a pessoa que na verdade está errada é aquela que prova que estamos errados, desse modo dando a entender erroneamente que está certa. Certo?” p. 107
FICHA TÉCNICA

Desventuras em Série: A Sala dos Répteis.
Fonte: LeLivros
Título (BRA): A Sala dos Répteis, Desventuras em Série. 
Título (Original): The Reptile Room.
País de Produção: Norte-americano.
Autor: Lemony Snicket.
ISBN: 978-85-359-0143-6; 978-85-359-1972-1 (coleção).
Dimensão: 12,5 cm x 18,5 cm.
Páginas: 177 p.
Class. CDD: 813 - Ficção americana.
Cutter: S672.
Referência: Snicket, Lemony. Desventuras em Série: a sala dos répteis. Ilustração de Brett Helquist; Tradução de Carlos Sussekind. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2001.

Lido em: 10 dias.
Nota pessoal: 10/10.
Coleção/Série: Desventuras em Série (13 volumes).
Adaptações: A coleção possui um adaptação cinematográfica, de 2004, que retrata os três primeiros livros; uma série, da Netflix, com três temporadas que trabalha com todos os treze volumes.
PDF para donwload no LeLivros
Curiosidades: Herpetologia - répteis (e alguns anfíbios) (em processo)


“Para Beatrice – meu amor por você viverá para sempre. Você não teve a mesma sorte.”

Desventuras em série é uma coleção composta por 13 volumes, um mais interessante que o outro. Escrita por Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel J. Handler), que nos proporciona uma aventura (ou desventuras) muito surreais e inimagináveis. A leitura é voltada para um público infantil, mas que acaba seduzindo muitos adolescentes e o que dirá adultos, tendo essa atmosfera de suspense e drama, envolvendo nada mais nada menos que três crianças órfãs.
“Uma das coisas mais difíceis da vida é pensar nos arrependimentos. Algo nos acontece, então fazemos o que não deveríamos ter feito e, anos depois, desejaremos que tivéssemos agido de outra forma” p. 47
O volume dois da coleção nos traz a continuação da desventura de perder os pais e ter que ficar órfão e ainda sendo transferido para lá e para cá à um novo tutor. Em A sala dos répteis conhecemos o primeiro tutor (que realmente é bom e amável com as crianças), o Dr. Montgomery Montgomery, que é irmão da mulher do primo do Baudelaire pai (e isso lá é sinal de parentesco? Para mim termina a linhagem de sangue no “primo”). Entretanto... o Tio Monty, como é chamado pelos Baudelaire é um renomado herpetólogo (em síntese, ele estuda os répteis, e alguns anfíbios).
“Esperar uma das coisas difíceis da vida. É duro esperar pela sobremesa de torta de chocolate quando o rosbife ainda está no prato. Que tristeza esperar pelo Halloween enquanto ainda falta passar o tedioso mês de setembro” p. 58
Os jovens Baudelaire, estranham no início a personalidade do Tio Monty, pensando que ele se assemelha ao maléfico Conde Olaf. Logo, descobrem que ele é um cientista maravilhoso, e pessoa maravilhosa. Mas como diria Lemony Snicket, se você está pensando que as coisas terminam felizes para sempre nesse cenário, engana-se. Temos que contar com a presença do nosso vilão, caracterizado como Stephano, um assistente de Herpetologia, que vai tentar de tudo para pegar novamente a fortuna dos Baudelaire.
“Quando alguém comete um pequeno engano -  digamos, quando um garçom põe leite desnatado no seu café expresso e não leite semidesnatado -, às vezes é bem fácil explicar a essa pessoa como e por que ela se enganou. Mas, se o engano cometido assume proporções além de todos os limites – digamos, quando um garçom morde seu nariz em vez de anotar o seu pedido -, a surpresa causada pode ser tanta que somos incapazes de dizer o que quer que seja. Paralisada pelas proporções do engano do garçom, a pessoa fica meio boquiaberta, os olhos começam um pisca-pisca incontrolável, mas não consegue se pronunciar uma palavra” p. 74
No segundo volume podemos contar com a participação do personagem com mãos de gancho, interpretando o Dr. Lucafont. Além de uma descrição rápida da Terrível Trupe Teatral do Conde Olaf. As crianças ainda continuam não sendo ouvidas pelos adultos, mesma característica presente no volume um da coleção, acredito que isso sempre vai estar presente em todas as desventuras. E ainda podemos prestigiar mais do incrível Vocabulário Baudelaire – Palavras e Expressões, que será descrito em uma postagem a parte, como “Vocabulário Baudelaire de Palavras e Expressões – parte II”.
“É uma curiosa, a morte de um ente querido. Todos sabemos que nosso tempo nesse mundo é limitado, e que finalmente todos acabaremos debaixo de algum lençol, para não acordar nunca mais. No entanto é sempre uma surpresa quando isso acontece a alguém que conhecemos. É como subir a escada para seu quarto no escuro, e achar que há mais um degrau do que realmente há. O pé resvala no ar e segue-se um aflitivo momento em que, colhida às cegas pela surpresa, a pessoa tenta adaptar-se à escuridão” p. 95
Mas acerca do livro, é muito interessante e gostosa a leitura, além de ser rápida. Para um estudante de Biblioteconomia (futuro bibliotecário renomado) e amante de livros e ficção, não poderia deixar de mencionar uma característica da linguagem, que é a função Metalinguística (linguagem falando sobre linguagem); aplicando ao livro, é o momento que podemos constar que é apresentado/citado outros livros, e bibliotecas, linhas de conhecimento especificas aplicados em uma biblioteca. O que tenho que admitir, foi uma coisa maravilhosa para mim. A parte mais linda que já vi na história.
“A ocorrência de um acidente em certo lugar pode criar uma mancha nos sentimentos de uma pessoa em relação a esse local, como a mancha de tinta que perdura num lençol branco. Por mais que se esfregue e se lave para tirar essa mancha da memória, não há como esquecer o que aconteceu e deixou todo mundo triste” p. 119-120
Assim como no volume um é mencionado a área de conhecimento do direito, no volume dois podemos desfrutar da área de biológicas, voltada para os estudos dos répteis e alguns anfíbios. Para os não bibliotecários, corresponde à classificação maior de 500 (Ciências Naturais e Exatas), ou para ser mais especifico a classificação 597.9, que trata especificamente dos repteis, e até mesmo anfíbios.
“Quando as circunstâncias são más, elas têm o dom de estragar o que, não fosse por elas, seria agradável” p. 79

PERSONAGENS

Violet Baudelaire
“com catorze anos, era a mais velha dos irmãos Baudelaire. [...] era uma inventora e quando estava concentrada em alguma de suas invenções gostava de amarrar os cabelos dessa maneira. Uma forma de ajudá-la a pensar com maior clareza nas várias engrenagens, arames e cordas envolvidas na maior parte de suas criações”. p. 12
Klaus Baudelaire
“adorava ler, e nos seus aproximadamente doze anos de idade havia devorado mais livros do que muita gente é capaz de ler ao longo de toda a vida. Às vezes lia até bem tarde da noite, e de manhã podia-se ver que caíra no sono com o livro nas mãos e sem sequer tirar os óculos”. p. 12-13
Sunny Baudelaire
“’Bax!’ (...) a mais nova dos órfãos, frequentemente falava assim, que é o jeito de falar dos bebês. Na verdade, quando não estava mordendo coisas com seus quatro dentes bem afiados, Sunny passava a maior parte do tempo soltando esses fragmentos de fala. Muitas vezes era difícil entender o que ela estava querendo dizer”. p. 13
Sr. Poe
“amigo da família que trabalhava num banco e que tinha uma tosse que não parava”. p. 11
Dr. Montgomery Montgomery
“O Dr. Montgomery vem a ser... deixe-me ver... irmão da mulher do primo de seu falecido pai. Acho que é isso. É um cientista de certo renome, e recebe muito dinheiro do governo” p. 13-14 
“Ele viajou muito, de forma que tem uma porção de histórias para contar. Ouvi dizer que a casa dele está repleta de coisas que ele trouxe dos lugares por onde passou”. p. 13 
“um homem baixinho e rechonchudo de rosto bem redondo e avermelhado”. p. 17
Stephano - Conde Olaf
“Um homem muito alto e magro, com uma barba comprida e sem sobrancelhas acima dos olhos saia da porta traseira do carro, carregando uma maleta preta fechada com um cadeado de prata que brilhava” p. 45 
“Podia ter rapado sua longa sobrancelha duas em uma. Podia ter deixado crescer uma barba no seu queixo ossudo, mas a tatuagem de um olho em seu tornozelo era mais reveladora que qualquer sinal de nascença” p. 46
Terrível Trupe Teatral - 3T
- Um careca de nariz comprido, que vestia sempre um roupão preto;
- Duas mulheres sempre com o rosto coberto com um pó branco fantasmagórico;
- Uma pessoa tão grandona e de traços tão indefinidos que não se podia dizer que fosse homem ou mulher;
- Um homem magricela que tinha dois ganchos onde deveria haver suas mãos. p. 57
Dr. Lucafont
“(...) uma criatura muito magra, um homem alto de paletó branco. [...] ‘Sou o dr. Lucafont’, disse o homem alto, apontando para si próprio com uma das mãos, grande e sólida” p. 108
CARTA AO EDITOR

Ao Meu Amável Editor:
Escrevo-lhe das margens do Lago Lacrimoso onde examino o que restou da casa da tia Josephine para ter uma percepção clara do que aconteceu quando os órfãos Baudelaire estiveram aqui.
Vá ao Café Kafka às quatro horas na próxima quarta-feira, e peça uma xícara de chá de jasmim ao garçom mais alto. A menos que meus inimigos tenham triunfado, ele trará, no lugar do seu pedido, um envelope bem grande. Dentro você encontrará a minha descrição desses espantosos acontecimentos, intitulada O Lago das Sanguessugas, bem como um esboço da Gruta do "P", um pequeno saco com cacos de vidro e o cardápio do restaurante Palhaço Ansioso. Haverá também um tubo de ensaio contendo uma sanguessuga do lado, que o sr. Helquist usará como modelo para fazer uma ilustração caprichada. Em nenhuma hipótese esse tubo de ensaio deve ser aberto.
Lembre-se, o senhor é minha única esperança que a história dos órfãos Baudelaire seja finalmente contada ao grande público.
Respeitosamente,
Lemony Snicket.

Sobre o Autor:

Pseudônimo do escritor Daniel J. Handler, tornou-se um fenômeno editorial em todo o mundo. Nasceu em 28 de fevereiro 1970, em San Francisco, EUA, onde mora até hoje. É casado com Lis Brown, artista gráfica que conheceu na universidade, e tem um filho chamado Otto Handler. Integra uma banda chamada Magnetic Fields. Ele é escritor e cineasta americano, formado pela Universidade Wesleyan, em 1992, no estado de Connecticut.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Desventuras em Série - Mau Começo (2001)

Desventuras em Série... lembro que o meu primeiro contato com essa obra maravilhosa, foi a adaptação cinematográfica de 2004, com a participação do excelentíssimo Jim Carrey como Conde Olaf e entre outros atores, que prefiro me privar dos comentários agora, para o momento em que falar do filme em si.

Fonte: Saraiva
Título (BRA): Mau Começo, Desventuras em Série. 
Título (Original): The Bad Beginning.
País de Produção: Norte-americano.
Autor: Lemony Snicket.
ISBN: 978-85-359-0094-1; 978-85-359-1972-1 (coleção).
Dimensão: 12,5 cm x 18,5 cm.
Páginas: 148 p.
Class. CDD: 813 - Ficção americana.
Cutter: S672.
Referência: Snicket, Lemony. Desventuras em Série: mau começo. Ilustração de Brett Helquist; Tradução de Carlos Sussekind. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2001.

Lido em: 11 dias.
Nota pessoal: 9/10.
Coleção/Série: Desventuras em Série (13 volumes).
Adaptações: A coleção possui um adaptação cinematográfica, de 2004, que retrata os três primeiros livros; uma série, da Netflix, com três temporadas que trabalha com todos os treze volumes.
Curiosidade: Tipos de Nós (baseado no nó Língua do Diabo apresentado no livro)
“Para Beatrice – querida, adorada, morta.”
Desventuras em série é uma coleção composta por 13 volumes, uma mais interessante que o outro. Escrita por Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel J. Handler), que nos proporciona uma aventura (ou desventuras) muito surreais e inimagináveis. A leitura é voltada para um público infantil, mas que acaba seduzindo muitos adolescentes e o que dirá adultos, tendo essa atmosfera de suspense e drama, envolvendo nada mais nada menos que três crianças órfãs.

O volume um da coleção apresenta os jovens Baudelaire e o intrigante incêndio que matou os Baudelaire pais, tornando as crianças órfãs e ficando a cargo de um parente considerado “mais próximo” (genealógica ou geograficamente). No caso, a interpretação do “mais próximo” é feita de forma errônea por “geografia”. E os jovens Baudelaire acabam indo parar nas graças (“garras”) do adorável (“detestável”) Conde Olaf. De acordo com as informações coletadas, ele seria primo de terceiro ou quarto grau das crianças (primo de segundo grau já não é tão parente assim, o que dirá de terceiro ou quarto).
Há muitos tipos de livros no mundo, o que faz sentido, porque há muitos e muitos tipos de pessoas, e os gostos são diferentes. p. 78
Os órfãos Baudelaire vivem grandes aventuras (“desventuras”) nas mãos do Conde Olaf, mas com sua inteligência em inventar objetos, extrair informações dos livros e morder, as crianças conseguem sobreviver ao Conde, que está na mais do que interessado na grande fortuna deixada pelos Baudelaire pais. Até o momento que você descobre a verdadeira intenção do Conde Olaf pelos Baudelaire, você pode se perguntar: Mas porque ele quer tanto assim a fortuna das crianças? Quem incendiou a casa dos Baudelaire? De onde o Conde conhece a família Baudelaire? Quantos livros são mesmo? (kkkk)
Mas um tipo de livro que praticamente ninguém gosta de ler é um livro de direito. Os livros de direito têm fama de ser muito compridos, muito chatos e muito difíceis de ler. p. 78 (Menção a livros)
Como já mencionei, a leitura é voltada para o público infantil, entretanto, as críticas e o trato na personalidade dos personagens ao longo da história, faz pensar que, com um pouco de reflexão você percebe que Desventuras em Série não bem uma história de ninar, e sim uma história bem contemporânea e para os adultos lerem e refletirem sobre si e o mundo.

Dois dos pontos principais que o volume um trata de forma direta e explicita:
  • O fato de que as crianças nunca são ouvidas, e quando são, não consegue fazer com que os demais creiam em suas palavras; é incrível como o Conde Olaf consegue enganar tão fácil assim os adultos ao longo da história;
  • A justiça em muitos lugares do mundo, incluindo no nosso país (Brasil), é falha. A expressão “a justiça é cega” no ramo do direito, é aplicada de forma literal na narrativa. Todos parecem não enxergar as atrocidades cometidas pelo Vilão.
É obvio que é possível notar outras pequenas críticas na história e nos demais livros. Mas deixo aqui para que você descubra e reflita.

Duas características marcantes do modo como é escrito o livro, são:
  • O próprio autor, também, é um personagem, caracterizando uma narrativa em terceira pessoa (pelo menos é isso que lembro das aulas de português no ensino médio). Essa característica fica bem presente nos demais livros também;
  • Pelo fato dos personagens serem inteligentes e, o principal, Klaus Baudelaire ser um bibliófilo de carteirinha (pelo menos acho que é por esses motivos), ao longo da narrativa são apresentados momentos de definição de certas palavras ou expressões utilizadas por algum dos personagens. Fato que me deixou tão intrigante que anotei cada momento desse e pretendo apresenta-los, assim que terminar a leitura de todos os livros.
É muito interessante e gostosa a leitura, além de ser rápida. Para um estudante de Biblioteconomia (futuro bibliotecário renomado) e amante de livros e ficção, não poderia deixar de mencionar uma característica da linguagem, que é a função Metalinguística (linguagem falando sobre linguagem); aplicando ao livro, é o momento que podemos constar que é apresentado/citado outros livros, e bibliotecas, linhas de conhecimento especificas aplicados em uma biblioteca. O que tenho que admitir, foi uma coisa maravilhosa para mim. A parte mais linda que já vi na história.

Indico essa postagem sobre 13 porquês para ler Desventuras em Série, do site Escrever e Ler.
Achei muito legal e criativo.


PERSONAGENS

Violet Baudelaire
a mais velha dos três, gostava de atirar pedras bem longe para vê-las deslizar na superfície do mar antes de afundarem. Como a maioria dos jovens de catorze anos, era destra [...] p. 11
Quem conhecesse bem Violet logo perceberia que ela estava concentrada em suas reflexões, porque havia amarrado os cabelos com uma fita para afastá-los dos olhos. Violet tinha uma forte inclinação para inventar e montar aparelhos estranhos, por isso o seu cérebro volta e meia se via tomado por imagens de roldanas, alavancas e engrenagens, e ela fazia questão de nessas horas não ser distraída por algo tão banal como seus cabelos. p. 11
Klaus Baudelaire
o irmão do meio, e o único menino, gostava de examinar os seres minúsculos que pululavam nas piscininhas formadas à beira d’água. Klaus tinha pouco mais que doze anos e usava óculos, o que lhe dava um ar inteligente. E ele era inteligente. p. 11
Aos doze anos, é claro que Klaus  não poderia ter lido todos os livros da biblioteca dos Baudelaire, mas lera uma porção deles, e era impressionante como retinha na memória a quantidade de informações assim obtidas. p. 12
Sunny Baudelaire
a mais nova da trinca, gostava de morder coisas. Era ainda quase um bebê e muito pequena para sua idade, pouco maior que uma bota. A pouca altura era compensada, no entanto, pelos quatro dentes bem grandes e afiados. p. 12 
Sr. Poe
era uma amigo do sr. e sra. Baudelaire que as crianças haviam encontrado em muitos jantares festivos. p. 14
[...] ele estava sempre resfriado e constantemente se desculpava de se retira da mesa a fim de ter um acesso de tosse na sala ao lado. p. 14
O sr. Poe raras vezes estava em casa, porque ficava muito ocupado cuidando dos interesses do Baudelaire, e quando estava, tossia tanto que mal conseguia manter uma conversa. p. 20
Edgar Poe & Alberto Poe
[...] dois filhos de Poe (..) eram meninos barulhentos, agitados, muito antipáticos, com quem os Baudelaire tiveram que partilhar um quarto minúsculo em que predominava um cheiro de flor dos mais enjoativos. p. 20
Juíza Strauss / Justice Strauss
Diante da entrada da casa, com uma das mãos segurando a reluzente maçaneta de metal da porta, uma senhora de certa idade, elegantemente vestida, sorria para os Baudelaire. Na outra mão tinha um vaso de flores. p. 25
[...] Sou Justice Strauss.- Um prenome meio fora do comum – observou Klaus.- É meu título – ela explicou – não meu prenome. Sou Juíza na Suprema Corte. p. 26 
Conde Olaf
Ele é primo em terceiro ou quarto grau de vocês. Não é o seu parente mais próximo na árvore genealógica, mas é o mais próximo geograficamente. p. 22
Ele era alto e muito magro, e vestia um terno cinzento com várias manchas escuras. O rosto estava sem barbear e, no lugar das duas sobrancelhas que a maioria dos seres humanos possuía, tinha uma única, bem comprida. Seus olhos brilhavam intensamente, o que lhe dava uma aparência de faminto e de zangado ao mesmo tempo. p. 28

CARTA AO EDITOR
Ao meu amável Editor,
 Escrevo-lhe da sede londrina da Sociedade Herpetológica, onde estou tentando descobrir o que aconteceu com a coleção de repteis do dr. Montgomery Montgomery após os trágicos acontecimentos ocorridos quando os órfãos Baudelaire se achavam sob sua guarda.
Um de meus colegas porá uma pequena caixa à prova d’água na cabine telefônica do Hotel Elektra às onze da noite, na próxima terça-feira. Retire-a, por favor, antes da meia-noite, para evitar que caía em mãos erradas. Na caixa encontrará minha descrição desses terríveis acontecimentos, intitulada A sala dos repteis, bem como um mapa do Mau caminho, uma Zumbis na neve e a receita do dr. Montgomery para o bolo com creme de coco. Consegui também localizar um dos poucos retratos do dr. Lucafont, para servir de ajuda às ilustrações do sr. Helquist.
Lembre-se, o senhor é minha última esperança de que as histórias dos órfãos Baudelaire sejam finalmente contadas ao grande público.
Sobre o Autor:
Pseudônimo do escritor Daniel J. Handler, tornou-se um fenômeno editorial em todo o mundo. Nasceu em 28 de fevereiro 1970, em San Francisco, EUA, onde mora até hoje. É casado com Lis Brown, artista gráfica que conheceu na universidade, e tem um filho chamado Otto Handler. Integra uma banda chamada Magnetic Fields. Ele é escritor e cineasta americano, formado pela Universidade Wesleyan, em 1992, no estado de Connecticut.

Fontes: Wikipédia; Skoob; Companhia das Letras; Lemony Snicket

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Colina Escarlate (Crimson Peak) (2015)


E vamos tomar um café de filme...

O filme da vez é mais uma grande produção de Guillermo del Toro (Não, não vou escrever apenas sobre ele, mas não tenho culpa se o cara sabe o que faz).

Esse é mais um nas minhas listas "Contos de fada nada tradicionais" e "Filmes que todos tem que assistir, porquê sim!"

Já havia assistido anteriormente, logo no ano em que estreou (2015), entretanto, pus me a assistir novamente, até mesmo porque incorporei o filme a minha coleção de Dvds e como já havia falado da mais recente produção de del Toro, "The Shape of Water".

Sem mais delongas e blá blá blá.... o filme da vez é "A Colina Escarlate".
"As coisas bonitas são frágeis." (Lucille Sharpe, Crimson Peak, 2015)


Título (BRA): A colina escarlate
Título (Original): Crimson Peak
País de produção: Canadá, EUA
Estreia: 15 de outubro de 2015 (BRA); 16 de outubro de 2015 (Mundial)
Direção: Guillermo del Toro
Produção: Guillermo del Toro; Thomas Tull; Callum Greene; Jon Jashni
Escrito por: Guillermo del Toro; Matthew Robbins
Classificação Etária: Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Fantasia, Drama, Terror
Duração: 119 min, Color.; Son.
Classificação - CDD: 778.5 (Filme cinematográfico)

Nota: 9/10
Curiosidades: Duas curiosidades que eu, como aluno de Biblioteconomia, achei bem interessante destacar (já que esse é um dos intuitos do blogger) são: as Ilustrações de Bordas que Lucille apresenta para Edith, na biblioteca, e os rolos de cera gravados que Edith encontra no armário de toalhas. São duas especialidades que datam aproximadamente o século XVII ao século XIX. Podem conferir mais informações sobre as duas no link: Fonógrafo e Fore-edge painting.
Baseado no Livro: HOLDER, Nancy. A colina escarlate. Tradução Pedro Sette-Câmara. Rio de Janeiro: Record, 2015. 308 p. Título original: Crimson Peak.

A Colina Escarlate conta a história de Edith, uma jovem criança que perdeu a mãe muito jovem, mas desde o velório recebe a visita do fantasma dela. Visitas que não são nada sutis e agradáveis. Visitas que trazem apenas um recado de aviso em relação a Colina Escarlate, mas como não tem muitos dados na mensagem, fica uma informação incompleta e não entendemos, o que dirá a garotinha, a mensagem.
Fantasmas existem. Disso eu sei. Certas coisas os prendem a um lugar... do mesmo jeito que nos prendem também. Alguns se mantem apegados a um pedaço de terra. Um dia e hora. O jorro do sangue. Um crime hediondo. Mas há outros... que se apegam a uma emoção. Um propósito. Uma perda. Uma vingança. Ou um amor. Esses... nunca vão embora. (Crimson Peak, 2015)
Edith cresce e torna se uma jovem donzela muito bonita e atraente, além de muito esperta e inteligente, motivo pelo qual seu amigo e médico, Dr. Alan McMichael, acaba se apaixonando por ela e nutrindo esse sentimento ao longo do filme.

Edith sonha em ser uma escritora (e vamos falar de histórias dentro de uma história), entretanto, tendo em mente a época (vitoriana*) onde o enredo se passa, sabemos, graças as aulas de História, que nessa época a mulher não era vista como uma "pessoa de negócios", logo, ou ela virava dona de casa, ou trabalhava mais em profissões ditas como "femininas" (secretária do lar ou do escritório). O mesmo servia para Edith, que não tinha, além de seu pai, muitos incentivos para seguir como escritora.
- Sempre fecho os olhos quando não fico à vontade . Facilita tudo. - Eu não quero fecha-los. Quero mante-los abertos. (Crimson Peak, 2015)
Mesmo após sua história não ser aceita pelo jornal local, Edith não desiste de publicar sua história. Nesse momento, ela conhece o jovem Thomas Sharpe (Baronete de Allerdale Hall), que se encanta pela adorável Edith e por sua história de fantasma.

Esse encontro de Edith e Thomas, dá-se início a um série de pequenos acontecimentos, interligados, que me ateio a não continuar a relatar na descrição, pois é aqui que o filme realmente começa, a história se inicia e o suspense inicia para o ápice.

Particularmente, até eu assisti o filme e redigir esse post eu não cheguei a ler o livro, mas pretendo, e desejo fazer um relação da obra escrita com a adaptação para o cinema. Mia Wasikowska, está perfeitamente bem como Edith, assim como ela foi brilhante como Alice nos dois filmes da Franquia. A personagem que começa inocente e assustada, assumi aos poucos uma personalidade forte e implacável.
É absurdamente sentimental. O sofrimento descrito com tanta sinceridade! A dor, a perda. Não viveu nada disso. Leu de outros autores. (Thomas Sharpe, A colina escarlate, 2015)
Pode ser observado nessa evolução de Edith a passagem da menina para mulher. Que perde sua inocência para conhecer a brutalidade e a veracidade da vida humana, e como os homens podem agir uns com os outros em determinados momentos.

Tom Hiddleston, nosso querido Loki (da Franquia dos filmes dos Vingadores e Thor), diferente do personagem anterior, assume uma interpretação mais séria e sombria, que é pedido no filme de drama e suspense. Como Thomas Sharpe, analisamos no personagem a infância sofrida e traumatizada de uma criança refletida no homem que se tornou, e nem sempre os resultados são bons para o individuo e/ou para a sociedade.
Há alguma coisa nele que não gosto. O que é? Eu não sei. E não gosto de não saber. (Carter Cushing, Crimson Peak, 2015)
Com Guillermo del Toro na produção e direção do enredo o resultado não poderia ser melhor. Em alguns efeitos gráficos e especiais (que foram poucos, já que o filme conta muito com a praticidade do que pode ser feito na hora e sem tecnologia), voltados para os fantasmas das ex-esposas, ficou a desejar, mas Javier Botet, o mesmo interprete de Mama (2013), foi excelente em sua performance e atuação, dando uma vida e graça (medo e terror) aos nossos fantasmas escarlates. Mas como eu adoro tudo o que é feito pelo del Toro, fica meio suspeito criticar o filme (kkk).

Sem dúvida o filme é um deleite para os fãs do diretor e do gênero. Cada detalhe empregado nas cenas e de fazer assistirmos de novo, e de novo, e novamente.

ELENCO
  • Charlie Hunnam, como Dr. Alan McMichael;
  • Mia Wasikowska, como Edith Cushing [mesma atriz de "Alice no país das maravilhas" (2010) e "Alice através do espelho" (2016) nos remakes];
  • Jim Beaver, como Carter Cushing;
  • Javier Botet, como os fantasmas: Enola, Margaret e Pamela;
  • Jessica Chastair, como Lucille Sharpe;
  • Tom Hiddleston, como Thomas Sharpe [mesmo magnífico ator que deu vida e sarcasmo ao personagem Loki na franquia "Thor" (2011) e "Vingadores" (2012)];
  • William Healy, como o jovem Alan;
  • Sofia Wells, como a jovem Edith;
  • Bruce Gray, como Ferguson;
  • Burn Gorman, como Holly.

DISCOGRAFIA

por Fernando Velázquez:
  • Edith's Theme;
  • My mother's funeral;
  • Bufalo;
  • After the ghost;
  • Soft hands;
  • McMichael;
  • Valse sur une berceuse anglaise;


*Época Vitoriana: período no qual a Rainha Vitória reinou sobre a Inglaterra, no século XIX, durante 63 anos, de junho de 1837, a janeiro de 1901. (Fonte: Infoescola)

domingo, 28 de janeiro de 2018

A Forma da Água (The Shape of Water), 2017

E o filme de hoje é mais um da série "Eu amo mitologia, misticismo e tudo o que há no imaginário humano".
The Shape of Water (A forma da água) é um filme que assim que vi sua divulgação, bateu a vontade de assistir, ainda mais sabendo que é um filho fruto da genialidade de Guillermo del Toro, mesmo produtor de "O Labirinto do Fauno" e "A Colina Escarlate".


REFERÊNCIA:
The Shape of Water. Direção: Guillermo del Toro. Vanessa Taylor Produção: Guillermo del Toro. Callum Greene. J. Miles Dale. Canadá, EUA: , 2017. 119 min. Son, color.

A história se passa na década de 1960, período histórico da Guerra Fria. Eliza Esposito (Sally Hawkins) que é mostrada como uma "princezinha sem voz", trabalha como faxineira em uma base secreta dos EUA. Em mais um dia comum na sua rotina casa-trabalho-casa, ela presencia a chegada de uma criatura para o laboratório aos cuidados do Dr. Hoffstetler (Michael Stuhlbarg).
"O tempo não é nada mais que um rio correndo pelo nosso passado." (The Shape of Water, 2017)
Essa criatura fica sob os métodos de interrogação do agente Strickland (Michael Sannon), o mesmo que o trouxe dos rios da América do Sul, com o intuito de saber sua origem e se há mais de sua espécie.
"Ele é uma aberração. Nem é humano. - Ele não fala... como eu. Ele usa gestos... como eu. O que eu sou então!?" (The Shape of Water, 2017)
Eliza acaba por se afeiçoar ao Experimento, vendo e sentindo o quanto são semelhantes e diferentes ao mesmo tempo. Ao saber que Strickland pretende matar o Experimento para mais detalhes de sua anatomia. Eliza se em um grande desafio que é salva-lo de dentro de uma base militar de alta segurança. Ela conta com a ajuda de amigos, Zelda (Octavia Spencer), sua colega de trabalho e interprete, e Gilles (Richard Jenkins), seu vizinho e narrador bissexto do conto.
"Quando ele olha pra mim... ele não me vê incompleta." (The Shape of Water, 2017)
O filme repassa uma mensagem contra a xenofobia, quanto entrelaça Eliza e o Experimento em um clímax romântico e erótico. Demonstrando também os pequenos dramas que os demais personagens passam, como o Gilles, um desenhista em busca de uma nova oportunidade para demonstrar sua arte, e Zelda, uma dona de casa que também trabalha na base militar e tem que aguentar um marido folgado e relaxado, além do preconceito indireto por ser negra e mulher.
"Você nunca saberá o quanto eu te amei. Você nunca saberá o quanto me importo. E mesmo se eu tentasse não conseguiria esconder meu amor por você. Você deveria saber, pois eu te disse..." (The Shape od Water, 2017)
The Shape of Water, devido as cenas explicitas de nudismo e erotismo, acaba sendo chamado de "Conto de Fada para Adultos". Não deixa de ser um conto e muito menos deixa de ser para adultos. O filme nos relembra "A Bela e a Fera" (Disney, 1991), onde temos a mocinha e a fera que se apaixonam e tentam ficar juntos a todo custo. Entretanto, não temos aqui uma jovem tão inocente assim, nem mesmo uma fera que é o vilão, mas temos outra figura bem interessante de se destacar, que é agente Strickland, que demonstra a figura machista e sádica de muitos na da época retratada na história. Um típico homem branco, machista e preconceituoso, que se vê superior a todas as demais etnias e espécies.
"Incapaz de definir a tua forma. Eu o vejo ao meu redor. Tua presença preenche meus olhos com o teu amor; acalantei-a meu coração. Pois Tu está em todos os lugares." (The Shape of Water, 2017)
Gosto dos filmes de Guillermo del Toro, por sempre retratar fantasia, contexto histórico e problemáticas sociais tão atuais quanto os recursos tecnológicos utilizados em seus filmes.

CLASSIFICAÇÃO - CDD: 778.5 (Filme cinematográfico)

DATA DE LANÇAMENTO: 08 de dezembro de 2017.
DATA DE LANÇAMENTO (BRA): 01 de fevereiro de 2018. 
NACIONALIDADE: Estados Unidos da América (EUA).
DURAÇÃO: 93 minutos.
FILME: Colorido; 
CLASSIFICAÇÃO: Não recomendado para menores de 16 anos.
GÊNERO: Fantasia. Drama.
NOTA: 9/10.
CURIOSIDADES: ganhador de dois globos de ouro; ganhador do Festival de Veneza 2017.

ELENCO:
  • Doug Jones - O experimento (o Homem-peixe);
  • Sally Hawkins - Elisa Esposito;
  • Michael Shannon - Policial Strickland;
  • Michael Stuhlbarg - Dr. Hoffstetler;
  • Octavia Spencer - Zelda;
  • Richard Jenkins - Gilles;
  • David Hewlett - Flenning;
  • Lauren Lee Smith - Elaine;
  • Nick Searcy - Coronel Hoyt;
  • Stewart Arnott - Bernard.
MÚSICA TEMA DO FILME: