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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Colina Escarlate (Crimson Peak) (2015)


E vamos tomar um café de filme...

O filme da vez é mais uma grande produção de Guillermo del Toro (Não, não vou escrever apenas sobre ele, mas não tenho culpa se o cara sabe o que faz).

Esse é mais um nas minhas listas "Contos de fada nada tradicionais" e "Filmes que todos tem que assistir, porquê sim!"

Já havia assistido anteriormente, logo no ano em que estreou (2015), entretanto, pus me a assistir novamente, até mesmo porque incorporei o filme a minha coleção de Dvds e como já havia falado da mais recente produção de del Toro, "The Shape of Water".

Sem mais delongas e blá blá blá.... o filme da vez é "A Colina Escarlate".
"As coisas bonitas são frágeis." (Lucille Sharpe, Crimson Peak, 2015)


Título (BRA): A colina escarlate
Título (Original): Crimson Peak
País de produção: Canadá, EUA
Estreia: 15 de outubro de 2015 (BRA); 16 de outubro de 2015 (Mundial)
Direção: Guillermo del Toro
Produção: Guillermo del Toro; Thomas Tull; Callum Greene; Jon Jashni
Escrito por: Guillermo del Toro; Matthew Robbins
Classificação Etária: Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Fantasia, Drama, Terror
Duração: 119 min, Color.; Son.
Classificação - CDD: 778.5 (Filme cinematográfico)

Nota: 9/10
Curiosidades: Duas curiosidades que eu, como aluno de Biblioteconomia, achei bem interessante destacar (já que esse é um dos intuitos do blogger) são: as Ilustrações de Bordas que Lucille apresenta para Edith, na biblioteca, e os rolos de cera gravados que Edith encontra no armário de toalhas. São duas especialidades que datam aproximadamente o século XVII ao século XIX. Podem conferir mais informações sobre as duas no link: Fonógrafo e Fore-edge painting.
Baseado no Livro: HOLDER, Nancy. A colina escarlate. Tradução Pedro Sette-Câmara. Rio de Janeiro: Record, 2015. 308 p. Título original: Crimson Peak.

A Colina Escarlate conta a história de Edith, uma jovem criança que perdeu a mãe muito jovem, mas desde o velório recebe a visita do fantasma dela. Visitas que não são nada sutis e agradáveis. Visitas que trazem apenas um recado de aviso em relação a Colina Escarlate, mas como não tem muitos dados na mensagem, fica uma informação incompleta e não entendemos, o que dirá a garotinha, a mensagem.
Fantasmas existem. Disso eu sei. Certas coisas os prendem a um lugar... do mesmo jeito que nos prendem também. Alguns se mantem apegados a um pedaço de terra. Um dia e hora. O jorro do sangue. Um crime hediondo. Mas há outros... que se apegam a uma emoção. Um propósito. Uma perda. Uma vingança. Ou um amor. Esses... nunca vão embora. (Crimson Peak, 2015)
Edith cresce e torna se uma jovem donzela muito bonita e atraente, além de muito esperta e inteligente, motivo pelo qual seu amigo e médico, Dr. Alan McMichael, acaba se apaixonando por ela e nutrindo esse sentimento ao longo do filme.

Edith sonha em ser uma escritora (e vamos falar de histórias dentro de uma história), entretanto, tendo em mente a época (vitoriana*) onde o enredo se passa, sabemos, graças as aulas de História, que nessa época a mulher não era vista como uma "pessoa de negócios", logo, ou ela virava dona de casa, ou trabalhava mais em profissões ditas como "femininas" (secretária do lar ou do escritório). O mesmo servia para Edith, que não tinha, além de seu pai, muitos incentivos para seguir como escritora.
- Sempre fecho os olhos quando não fico à vontade . Facilita tudo. - Eu não quero fecha-los. Quero mante-los abertos. (Crimson Peak, 2015)
Mesmo após sua história não ser aceita pelo jornal local, Edith não desiste de publicar sua história. Nesse momento, ela conhece o jovem Thomas Sharpe (Baronete de Allerdale Hall), que se encanta pela adorável Edith e por sua história de fantasma.

Esse encontro de Edith e Thomas, dá-se início a um série de pequenos acontecimentos, interligados, que me ateio a não continuar a relatar na descrição, pois é aqui que o filme realmente começa, a história se inicia e o suspense inicia para o ápice.

Particularmente, até eu assisti o filme e redigir esse post eu não cheguei a ler o livro, mas pretendo, e desejo fazer um relação da obra escrita com a adaptação para o cinema. Mia Wasikowska, está perfeitamente bem como Edith, assim como ela foi brilhante como Alice nos dois filmes da Franquia. A personagem que começa inocente e assustada, assumi aos poucos uma personalidade forte e implacável.
É absurdamente sentimental. O sofrimento descrito com tanta sinceridade! A dor, a perda. Não viveu nada disso. Leu de outros autores. (Thomas Sharpe, A colina escarlate, 2015)
Pode ser observado nessa evolução de Edith a passagem da menina para mulher. Que perde sua inocência para conhecer a brutalidade e a veracidade da vida humana, e como os homens podem agir uns com os outros em determinados momentos.

Tom Hiddleston, nosso querido Loki (da Franquia dos filmes dos Vingadores e Thor), diferente do personagem anterior, assume uma interpretação mais séria e sombria, que é pedido no filme de drama e suspense. Como Thomas Sharpe, analisamos no personagem a infância sofrida e traumatizada de uma criança refletida no homem que se tornou, e nem sempre os resultados são bons para o individuo e/ou para a sociedade.
Há alguma coisa nele que não gosto. O que é? Eu não sei. E não gosto de não saber. (Carter Cushing, Crimson Peak, 2015)
Com Guillermo del Toro na produção e direção do enredo o resultado não poderia ser melhor. Em alguns efeitos gráficos e especiais (que foram poucos, já que o filme conta muito com a praticidade do que pode ser feito na hora e sem tecnologia), voltados para os fantasmas das ex-esposas, ficou a desejar, mas Javier Botet, o mesmo interprete de Mama (2013), foi excelente em sua performance e atuação, dando uma vida e graça (medo e terror) aos nossos fantasmas escarlates. Mas como eu adoro tudo o que é feito pelo del Toro, fica meio suspeito criticar o filme (kkk).

Sem dúvida o filme é um deleite para os fãs do diretor e do gênero. Cada detalhe empregado nas cenas e de fazer assistirmos de novo, e de novo, e novamente.

ELENCO
  • Charlie Hunnam, como Dr. Alan McMichael;
  • Mia Wasikowska, como Edith Cushing [mesma atriz de "Alice no país das maravilhas" (2010) e "Alice através do espelho" (2016) nos remakes];
  • Jim Beaver, como Carter Cushing;
  • Javier Botet, como os fantasmas: Enola, Margaret e Pamela;
  • Jessica Chastair, como Lucille Sharpe;
  • Tom Hiddleston, como Thomas Sharpe [mesmo magnífico ator que deu vida e sarcasmo ao personagem Loki na franquia "Thor" (2011) e "Vingadores" (2012)];
  • William Healy, como o jovem Alan;
  • Sofia Wells, como a jovem Edith;
  • Bruce Gray, como Ferguson;
  • Burn Gorman, como Holly.

DISCOGRAFIA

por Fernando Velázquez:
  • Edith's Theme;
  • My mother's funeral;
  • Bufalo;
  • After the ghost;
  • Soft hands;
  • McMichael;
  • Valse sur une berceuse anglaise;


*Época Vitoriana: período no qual a Rainha Vitória reinou sobre a Inglaterra, no século XIX, durante 63 anos, de junho de 1837, a janeiro de 1901. (Fonte: Infoescola)

domingo, 28 de janeiro de 2018

A Forma da Água (The Shape of Water), 2017

E o filme de hoje é mais um da série "Eu amo mitologia, misticismo e tudo o que há no imaginário humano".
The Shape of Water (A forma da água) é um filme que assim que vi sua divulgação, bateu a vontade de assistir, ainda mais sabendo que é um filho fruto da genialidade de Guillermo del Toro, mesmo produtor de "O Labirinto do Fauno" e "A Colina Escarlate".


REFERÊNCIA:
The Shape of Water. Direção: Guillermo del Toro. Vanessa Taylor Produção: Guillermo del Toro. Callum Greene. J. Miles Dale. Canadá, EUA: , 2017. 119 min. Son, color.

A história se passa na década de 1960, período histórico da Guerra Fria. Eliza Esposito (Sally Hawkins) que é mostrada como uma "princezinha sem voz", trabalha como faxineira em uma base secreta dos EUA. Em mais um dia comum na sua rotina casa-trabalho-casa, ela presencia a chegada de uma criatura para o laboratório aos cuidados do Dr. Hoffstetler (Michael Stuhlbarg).
"O tempo não é nada mais que um rio correndo pelo nosso passado." (The Shape of Water, 2017)
Essa criatura fica sob os métodos de interrogação do agente Strickland (Michael Sannon), o mesmo que o trouxe dos rios da América do Sul, com o intuito de saber sua origem e se há mais de sua espécie.
"Ele é uma aberração. Nem é humano. - Ele não fala... como eu. Ele usa gestos... como eu. O que eu sou então!?" (The Shape of Water, 2017)
Eliza acaba por se afeiçoar ao Experimento, vendo e sentindo o quanto são semelhantes e diferentes ao mesmo tempo. Ao saber que Strickland pretende matar o Experimento para mais detalhes de sua anatomia. Eliza se em um grande desafio que é salva-lo de dentro de uma base militar de alta segurança. Ela conta com a ajuda de amigos, Zelda (Octavia Spencer), sua colega de trabalho e interprete, e Gilles (Richard Jenkins), seu vizinho e narrador bissexto do conto.
"Quando ele olha pra mim... ele não me vê incompleta." (The Shape of Water, 2017)
O filme repassa uma mensagem contra a xenofobia, quanto entrelaça Eliza e o Experimento em um clímax romântico e erótico. Demonstrando também os pequenos dramas que os demais personagens passam, como o Gilles, um desenhista em busca de uma nova oportunidade para demonstrar sua arte, e Zelda, uma dona de casa que também trabalha na base militar e tem que aguentar um marido folgado e relaxado, além do preconceito indireto por ser negra e mulher.
"Você nunca saberá o quanto eu te amei. Você nunca saberá o quanto me importo. E mesmo se eu tentasse não conseguiria esconder meu amor por você. Você deveria saber, pois eu te disse..." (The Shape od Water, 2017)
The Shape of Water, devido as cenas explicitas de nudismo e erotismo, acaba sendo chamado de "Conto de Fada para Adultos". Não deixa de ser um conto e muito menos deixa de ser para adultos. O filme nos relembra "A Bela e a Fera" (Disney, 1991), onde temos a mocinha e a fera que se apaixonam e tentam ficar juntos a todo custo. Entretanto, não temos aqui uma jovem tão inocente assim, nem mesmo uma fera que é o vilão, mas temos outra figura bem interessante de se destacar, que é agente Strickland, que demonstra a figura machista e sádica de muitos na da época retratada na história. Um típico homem branco, machista e preconceituoso, que se vê superior a todas as demais etnias e espécies.
"Incapaz de definir a tua forma. Eu o vejo ao meu redor. Tua presença preenche meus olhos com o teu amor; acalantei-a meu coração. Pois Tu está em todos os lugares." (The Shape of Water, 2017)
Gosto dos filmes de Guillermo del Toro, por sempre retratar fantasia, contexto histórico e problemáticas sociais tão atuais quanto os recursos tecnológicos utilizados em seus filmes.

CLASSIFICAÇÃO - CDD: 778.5 (Filme cinematográfico)

DATA DE LANÇAMENTO: 08 de dezembro de 2017.
DATA DE LANÇAMENTO (BRA): 01 de fevereiro de 2018. 
NACIONALIDADE: Estados Unidos da América (EUA).
DURAÇÃO: 93 minutos.
FILME: Colorido; 
CLASSIFICAÇÃO: Não recomendado para menores de 16 anos.
GÊNERO: Fantasia. Drama.
NOTA: 9/10.
CURIOSIDADES: ganhador de dois globos de ouro; ganhador do Festival de Veneza 2017.

ELENCO:
  • Doug Jones - O experimento (o Homem-peixe);
  • Sally Hawkins - Elisa Esposito;
  • Michael Shannon - Policial Strickland;
  • Michael Stuhlbarg - Dr. Hoffstetler;
  • Octavia Spencer - Zelda;
  • Richard Jenkins - Gilles;
  • David Hewlett - Flenning;
  • Lauren Lee Smith - Elaine;
  • Nick Searcy - Coronel Hoyt;
  • Stewart Arnott - Bernard.
MÚSICA TEMA DO FILME: